domingo, 2 de novembro de 2014

Bifanas de Vendas Novas



Bifanas de Vendas Novas



Quem passa por Vendas Novas (Alto Alentejo - Distrito de Évora), é impossível não parar.

 As famosas bifanas de Vendas Novas,  com carne suculenta e finíssima, num pão crocante fazem-nos salivar assim que pensamos nesta localidade, são marca registada desde 2011 e foram nomeadas para as 7 Maravilhas gastronómicas de Portugal.

Tudo começou à 30 anos na  Rua da Boa Vista (estrada N4), quando um café resolveu inventar uma nova forma de confeccionar bifanas. 

Hoje os cafés que servem bifanas crescem como cogumelos dos dois lados da Rua da Boavista, para quem não conhece torna-se uma escolha difícil, até porque  nem todos os cafés servem as  bifanas com o mesmo sabor. As minhas favoritas são as  do Café "O Silva", o atendimento é excelente, principalmente quando o funcionário Luís está de serviço!  
... é ao Luís que dedico este post! Bem haja pela simpatia com que sempre nos recebeu ao longo de 20 anos! :) 







Ingredientes

- 1 Papo-Seco por bifana
 - Lombo de porco
- Alhos
- Vinho branco
- Colorau (uma pitada) 
- Louro
- Sal
- Pimenta

para fritar:

- Margarina vegetal ( é utilizada uma quantidade superior à do óleo)
- Óleo


O verdadeiro segredo das bifanas de Vendas Novas é a qualidade da carne (lombo de porco) e a forma como esta é batida.


Preparação:
Limpa-se muito bem o lombo de porco retirando-se  todas as peles e gorduras. Cortam-se bifes com cerca de um centímetro de espessura e batem-se muito bem dos dois lados com um martelo de bater a carne.
É neste processo que está o verdadeiro segredo. Os bifes têm de ficar transformados numa fina película de carne,  rendilhada pelos bicos do martelo.
Esmague muito bem os alhos, reduzindo-os a uma massa. Coloque os alhos esmagados numa tigela, e adicione o vinho branco ( muito pouco é só para dar um leve gosto), uma pequena pitada de colorau, o louro, o sal e a pimenta moída na hora.
Mergulhe os bifes muito bem batidos nesta marinada e deixe repousar pelo menos meia hora para tomarem gosto.

Cubra com óleo o fundo de uma  frigideira grande e leve ao lume adicionando a margarina.
Quando a gordura estiver quente, retire os alhos e o louro que estiverem agarrados à carne e frite os bifes dos dois lados. Coloque a carne num prato e reserve.
Adicione à gordura que fritou as bifanas, os alhos o louro e o resto do vinho que ficou na tigela da marinada, deixe ferver um bocadinho para a gordura ficar com o sabor dos ingredientes que se adicionaram.

Leve os papo-secos abertos ao meio a tostarem em forno bem quente. Quando retirar o pão do forno passe ligeiramente a parte do miolo pelo molho que fritou as bifanas (este é mais um dos segredos).

Coloque o bife dentro do papo-seco e sirva de imediato! 
A mostarda é o molho mais indicado para se adicionar às bifanas de Vendas Novas, pois faz realçar os seus temperos.
 
 








Mont-St-Michel


Mont-St-Michel


Coberto pelo nevoeiro, tragado pelo mar, erguendo-se orgulhoso sobre as areias cintilantes, o Mont-St-Michel é uma das imagens mais bonitas da França. Agora ligada ao continente por uma estrada elevada, a ilha de Mont-Tombe fica na foz do rio Coueson, coroada por uma abadia fortificada, que tem quase o dobro da sua alturura.
Estrategicamente situada na fronteira entre a Normandia e a Bretanha, o Mont-St-Michel transformou-se de um humilde oratório do Século VIII, num mosteiro  beneditiano que teve grande importância nos séculos XII e XIII. Peregrinos conhecidos por miquelots vêm de longe para glorificar S. Miguel, e o mosteiro foi um conhecido centro medieval de estudos. Depois da Revolução, a abadia foi transformada em prisão. Agora é um monumento nacional, visitado por cerca de 850 000 pessoas por ano.

O Mont-St-Michel foi classificado monumento histórico da França em 1874 e é património mundial da Unesco desde 1979.





Este é mais um relato de uma das  nossas viagens de carro pela Europa, algo que gostamos tanto de fazer e que cada vez se torna mais difícil, devido à falta de tempo.
Desta vez o destino foi a França, um país que adoramos! Primeira paragem para visita: Mont-St-Michel!


Depois dos cerca de 1600 km  percorridos com grande expectativa e entusiasmo,  chegámos finalmente à estrada  que liga a ilha de Mont-Tombe. Aqui, o cansaço da viagem tranformou-se em deslumbramento...
Apesar da chuva, do vento e das nuvens carregadas que o rodeavam ele erguia-se imponente para nos receber... O  Mont-St-Michel!
De impermeáveis vestidos, deixámos o carro no parque de estacionamento, e fomos à descoberta deste monumento histórico...







As marés do Mont-St-Michel

As marés são extremamente fortes na baía do Mont-St-Michel, sobem e descem segundo o calendário luar e na Primavera atingem velocidades na ordem dos 10 km por hora.
O mar retira-se com a velocidade de 10 km/h, mas volta com a mesma rapidez, os franceses costumam utilizar a expressão: « volta com a velocidade de um cavalo a galope ».
 
 

 



Muitos turistas aproveitam a maré baixa para se aventurarem na baía em direcção ao mar, não conhecem o local, desconhecem os pontos de areias movediças e principalmente esquecem-se que a subida das águas se faz muito rápidamente e que mesmo a correr um ser humano  não consegue atingir a velocidade da subida da maré.
Para quem quiser explorar este tipo de turismo de aventura, existem agências locais para o efeito, pergunte informações no posto de turismo local. 







A chuva finalmente deu-nos umas pequenas tréguas... ao entrarmos pela porta principal da muralha, a chuva que ao longo do dia nos acompanhou parou de cair durante algum tempo!








Grande Rue

Agora apinhada de turistas e lojas de recordações, esta rota de peregrinação, percorrida desde o século XII, sobe até aos portões da abadia passando pela Eglise St. Pierre.










Prepare as pernas, a subida morro acima rumo à abadia é feita a pé por uma escadaria  tal como se fazia no sec. XII. Mas vale bem a pena.





 Protegidas por altos muros, a abadia e a igreja têm uma posição invencível na ilha.




A Abadia

Os edifícios principais testemunham a época em que a abadia foi um convento beneditino e, nos 73 anos subsequentes à Revolução, uma prisão política. Em 1017 iniciou-se a construção de uma igreja romana no ponto mais alto da ilha, sobre um edifício pré-romano do séc. X, agora Notre-Dame-sous-Terre. La Merveille (o milagre) é um convento de três andares que foi acrescentado à parte norte da igreja, nos princípios do século XIII.


Os três níveis da abadia reflectem a hierarquia monástica. O abade recebia os convivas nobres no andar do meio. Os soldados e os peregrinos de uma classe social inferior eram recebidos no andar inferior. 

As visitas guiadas começam no terraço oeste ao nivel da igreja e terminam na casa da caridade, onde eram dadas as esmolas aos pobres. Actualmente a casa da caridade é uma livraria e sala de recordações.





Igreja

Restam quatro ogivas da nave romana. Três foram demolidas em 1776  para darem lugar ao terraço oeste.




Refeitório

Os monges tomavam as suas refeições nesta sala comprida.
(promenor do tecto)





Sala dos Cavaleiros

As estruturas abobadadas e capitéis ricamente decorados são tipicamente góticos.





O Claustro

O Claustro com as elegantes colunas em fila é um belo exemplo do estilo anglo-normando dos princípios do século XIII.






No interior da abadia podemos ver algumas construções que eram utilizadas na idade média, exemplo disso é esta roda de madeira. Os presos eram colocados dentro da roda e obrigados a caminhar, deste modo a roda rodava e içava uma corrente de ferro que puxava uma plataforma. Nessa plataforma transportavam-se géneros alimentares e outros produtos que eram necessários para a sobrevivência dentro da abadia. Deste modo não era necessário abrirem os portões e não  sofriam invasões.





Pormenor da corrente de ferro e das calhas de madeira que serviam para içar a plataforma.




Do exterior  da abadia temos uma melhor percepção do esforço que os prisioneiros tinham de fazer para içarem a  plataforma.





No final da visita podemos ver uma exposição sobre o Mont-St-Michel, onde está patente o molde do arcanjo Michel que se encontra a cerca de 170 metros no topo da torre-agulha da abadia.









A descida faz-se sem pressas, apreciando o casario do burgo...






Regressamos ao parque de estacionamento, a chuva voltou a cair desta vez com mais intensidade. Por entre as  gotas de água que escorrem pelo capuz do impermeável   olhamos uma ultima vez para trás...








Dicas


Como chegar:

Por via terrestre:

Partimos de Portugal rumo a Valladolid - Bordeaux -entrámos na Bretanha por Nantes, seguimos via Rennes - Mont-St-Michel.

Quem estiver em Paris e quiser visitar o Mont-St-Michel, a forma mais económica de o fazer é alugar um carro.
São cerca de 360 km.

Por avião:
Existem voos regulares de Paris para Rennes. Depois tem de fazer a ligação por autocarro ou comboio. (não é muito prático) 

As agências de viagens têm visitas organizadas com partidas de Paris.




Onde comer:

                                                             




No Restaurante "La Mere Poulard" pode encontrar as  famosas omeletas da Madame Poulard.
As omeletas são batidas com uma vara de arames em tigelas de cobre
à frente dos clientes por cozinheiros vestidos de monges e vão   ao lume de lenha em frigideiras rústicas.




Onde dormir:

A disponibilidade de  alojamento no Mont-St-Michele é muito limitada e cara, a opção mais viável é pernoitar numa das povoações mais próximas. 
Existem parques de campismo com bungalows, turismo rural e hotéis.










domingo, 26 de outubro de 2014

Leitão Assado à Bairrada




Leitão Assado à Bairrada

Hoje viajamos pela gastronomia Portuguesa até à Bairrada!

O Leitão assado à Bairrada é um dos pratos regionais mais conhecidos e apreciados da região da Bairrada,  tendo sido nomeado uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal.




Receita:


Tempero do leitão









Para se preparar o tempero, juntam-se os ingredientes num almofariz de madeira,  onde se pisam pela ordem que se segue:




2 cabeças de alhos

1 punhado de sal (3 colheres de sopa)

2 colher de sopa bem cheias de boa pimenta moída

Salsa (um raminho)

cerca de 50 g de toucinho e 50 a 100 g de «unto» manteiga de porco

1 folha de louro

Azeite q.b
Vinho branco q.b


Estas quantidades são as normais para um leitão de 7 a 8 kg.

Depois de todos os ingredientes bem pisados adiciona-se a manteiga mexendo sempre até ficar uma massa regular por fim junta-se o azeite que deverá misturar-se muito bem com a massa.

O leitão é enfiado na vara (espeto) que, inicialmente era de loureiro, depois de pinheiro seco e actualmente é de inox.

A vara deve ter um comprimento tal que depois de metida até ao fundo do forno, deixe de fora cerca de 1 metro, pelo menos.

A vara entrará pelo ânus que foi alargado no amanho, saindo pela boca cerca de um palmo.

Amarram-se as pernas à vara com um arame fino, ficando as mãos livres.

Seguidamente, o leitão é muito bem barrado com o tempero, tanto por fora como interiormente, introduzindo o restante na barriga e em todas as partes vazias. É costume também dar umas picadas, com a agulha de o coser, nas coxas e espáduas onde há carne com mais altura, introduzindo um pouco de tempero nessas picadas.

Cosem-se depois os rasgos abertos no ventre e entre as mãos ou pescoço com uma agulha chamada «agulha de leitão», tipo de coser sacos mas mais pequena, e um fio de linho ou algodão mais conhecido por fio carreto ou fio do norte. Posto isto, o leitão está pronto a entrar no forno.

Assa lentamente em forno de lenha, regando-se  de vez em quando, com vinho branco.
Quando estiver assado, retira-se o molho acumulado na barriga.

Serve-se com batatas fritas acompanhado do molho. 








Origem

Apesar de se saber que os romanos já apreciavam leitão, não são muitos os livros de gastronomia que o referem assado. Facto é que desde o século XVII que a criação de suínos se tornou excedentária em terras da Bairrada e esse facto constituiu um grande impulso que o levou à sua comercialização.
O documento mais antigo que se refere a esta iguaria é uma receita conventual de 1743, provavelmente do Mosteiro do Lorvão ou do Mosteiro da Vacariça, compilada num caderno de refeitório de 1900 por António de Macedo Mengo, na qual é descrita uma receita que quase coincide com a receita actual.
Devido a esta falta de documentação mais exacta, todos os concelhos da região da Bairrada reivindicam a sua origem, desde o concelho da Mealhada, a Sul até ao de Águeda, a Norte, não sendo consensual e gerando várias disputas.


Fonte da receita: Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada

sábado, 25 de outubro de 2014

Quinta da Regaleira

  



A Quinta da Regaleira constitui um dos mais surpreendentes e enigmáticos monumentos da Paisagem Cultural de Sintra. Situa-se no elegante percurso que ligava o Paço Real ao Palácio e Campo de Seteais, dentro dos limites do centro histórico. Entre 1898 e 1912 Carvalho Monteiro transformou-a no seu lugar de eleição, conferindo-lhe as características actuais. 

 



Com uma junção de várias correntes artísticas e arquitectónicas, do gótico ao manuelino com um toque renascentista, o  resultado foi uma criação única, cheia de recantos mágicos e pormenores que não escondem a união entre a História nacional e o lado mítico e esotérico, inevitavelmente associado à serra de Sintra.





A Quinta da Regaleira foi residência de veraneio da família Carvalho Monteiro. A exuberância decorativa envolveu artistas de grande mérito como António Gonçalves, João Machado, José da Fonseca, Costa Motta e Rodrigo Castro, nas cantarias e Júlio da Fonseca, na talha de madeira.





Vamos então dar inicio à nossa visita e conhecer os mistérios da Quinta da Regaleira...

A  visita que vamos realizar pela Quinta, está a par das caminhadas  realizadas nas obras clássicas como a Divina Comédia, a Eneida, a Odisseia, etc... Tudo o que vamos encontrar ao longo desta viagem surge como uma busca da salvação, porque na Quinta tudo está relacionado com a morte e o renascimento!




O Palácio

Num patamar um pouco mais elevado encontra-se o palácio, com uma soberba vista sobre os jardins, o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena.

Na fachada do edifício, encontra-se o monograma de Carvalho Monteiro, ornamentado com cordas, laçadas e nós, características do estilo Manuelino.
Bem aos estilo gótico o edifício cresce rumo ao céu, com os seus pináculo e gárgulas. 









Entrada principal do palácio





Alpendre

A caprichosa ornamentação lavrada em calcário de Coimbra evoca a epopeia dos Descobrimentos Portugueses e o arquétipo da viagem.







gárgula



Torrinha

Desfrutando de uma panorâmica surpreendente sobre a serra e o oceano, o miradouro é rematado com uma esfera armilar e um catavento com a cruz da Ordem de Cristo.












Da Torrinha temos uma vista surpreendente para o Castelo dos Mouros.













Sala da Caça


A sala de jantar é dominada pela monumental  lareira rematada pela escultura do monteiro. Neste fogão de sala, sobressai o tema da caça, de excepcional execução em cantaria. Da policromia do mosaico veneziano às mísulas
da abóbada, transparece o tema do ciclo da vida.





Na sala de jantar as portas para a varanda são em arco redondo, ladeadas por colunas e elementos naturalistas.
Por cima da lareira, na parede do fundo existem duas pinturas, de um lado uma rapariga à beira mar sentada numa rocha, do outro um caçador largando um falcão segurando dois cães.
O tecto é abobadado. Uma porta forrada a veludo ao estilo quinhentista comunica com a copa.















Sala das Bonecas


Esta sala tem as paredes pintadas com cenas cortesãs, e por cima das portas crianças brincando. O tecto é de madeira trabalhado.













Sala dos Reis

Esta sala destaca-se de todas as outras salas do palácio, aqui Carvalho Monteiro mostra-nos as suas preferências monárquicas  através de um conjunto de retratos de vinte Reis e quatro Rainhas da monarquia portuguesa, a par dos escudos das cidades do Porto, Braga, Coimbra e Lisboa. Esta sala é conotada com a tradição mítica Portuguesa Templária.
A preponderância em toda a quinta de elementos decorativos com a cruz da ordem de Cristo, está aqui associada à caracterização dos retratos dos Reis Portugueses, representados com as insígnias de Grão Mestre desta ordem.

  








Na sala dos Reis, encontram-se vários objectos da Viscondessa da Regaleira, entre os quais um pergaminho com a Carta Régia de atribuição do Título de "Viscondessa da Regaleira".
Lisboa 1854. 





"Sala das Meninas"

Nesta sala as portas são emolduradas por mármore ricamente esculpido com troncos, cordas, nós, esfera armilar, etc...
Sobre a porta que dá acesso à torre, podemos ver uma escultura de Adão e Eva e a árvore da vida. Um friso junto ao tecto em redor da sala  ostenta pinturas das aventuras de um grupo de jovens.







Exposição

Uma exposição com fotos, moldes, textos e maquetas conta-nos cronologicamente a história da quinta  e elucida-nos sobre o significado das construções que foram feitas no palácio e nos jardins.



Poço iniciático




Hárpia


À medida que vamos subindo no edifício, podemos apreciar através das janelas alguns pormenores das fachadas!








Terraço panorâmico


O terraço panorâmico é rematado por oito pináculos  profusamente decorados com figuras naturalistas e fantásticas. Num dos pináculos virados ao oceano figura o poeta Luís de Camões.
Uma vista soberba para o Palácio da pena, deixa-nos extasiados!









Depois de visitarmos o palácio o passeio continua rumo aos jardins... um pouco mais à frente, vamos encontrar  a Capela!

 
Capela


A capela manuelina evidencia um rico programa iconológico, tendo como tema central o ciclo mariano e Cristo, com destaque para as cenas da anunciação e da coroação de Maria. O seu simbolismo alude ainda à Ordem do Templo e à Ordem de Cristo.


Carvalho Monteiro dá  uma enorme carga simbólica e familiar a tudo o que constrói na Quinta, exemplo disso é esta capela católico-romana: o altar da capela é dedicado à Virgem, porque a sua filha se chamava Maria, num vitral representa-se o Milagre da Nazaré, porque esse era o nome de uma neta; um painel de "tesselatum" representa Santo António pregando aos peixes, porque António era o nome de outro neto; também relacionados com membros da sua família, são as representações de São Pedro (nome do filho), Santa Teresa (da neta) e São Francisco (do pai).

A Capela de uma única nave de planta longitudinal, tem uma sacristia e uma torre sineira incorporada, umas escadas em espiral situadas à entrada do lado direito levam-nos até à cripta, imersa na escuridão e desprovida de qualquer decoração, tem ligação directa com o palácio através de um acesso subterrâneo. 


















A visita continua através dos caminhos místicos do jardim....


 



jardim

Enquanto  representação do cosmus, o jardim é aqui revelado pelo sucesso de lugares imbuidas de magia e mistério.
A demanda do paraíso é materializada em coexistência com um mundo inferus - um Dantesco mundo subterrâneo ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Adriane da iniciação. Concretize-se entre os diversos cenários a representação de uma viagem iniciática, por um jardim simbolico onde podemos sentir a harmonia das esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese  de consciência, em analogia com a demanda do Ser que ressalta de grandes epopeias. 



Espécies arbóreas


As principais espécies existentes no jardim são palmeiras, tílias, camélias, castanheiros, castanheiros da índia, carvalhos, carvalhos americanos, carvalhos negral, carrascos, sobreiros e azinheiras.


Todo o jardim é irrigado por um complexo sistema de rega, composto por cerca de dez minas, um aqueduto e doze depósitos.







Um pouco mais à frente, vamos encontrar a elegante Torre da Regaleira, segundo algumas teorias o nome da Quinta deriva desta torre.
A  ilusão de se encontrar no eixo do mundo é uma sensação fabulosa para quem sobe a torre.





Grutas do Labirinto

Construidas por Manini e Carvalho Monteiro, estas grutas artificiais são um labirinto, com vários caminhos que nos conduzem até ao seu interior através de uma viagem mitologia pela procura da espiritualidade.

É necessário atravessar as trevas "grutas do labirinto" para se chegar  à luz....





A água é uma constante na Quinta, sendo vista como o elemento purificador da vida responsável pela limpeza espiritual.








Terraço dos mundos celestes


O paraíso contrapõe-se com um mundo inferior, o dantesco mundo subterrâneo.
No terraço encontram-se dois mundos que se fundem: o céu e a terra!








Torre das extremidades do terraço


Portal dos Guardiães


Este espaço amplo e com óptima acústica  foi criado por Carvalho Monteiro para ser um teatro.





Esta estrutura cénica rematada por dois torreões laterais e por um mirante central sob o qual se dissimula uma das entradas para um percurso de túneis através do mundo subterrâneo, ao centro dois  guardiões que são dois tritões rodeando um búzio que segundo a mitologia usavam para tocar uma musica apaziguadora.

O túnel que se esconde atrás dos tritões leva-nos até ao poço iniciático.





O poço imperfeito

O poço imperfeito é formado por pedras toscas intercaladas, tem 8 metros de profundidade. Por trás das pedras desenrola-se uma escada de caracol.  Existe um percurso subterrâneo que nos leva até ao poço Iniciático. 






















Poço Iniciático


Na época de Carvalho Monteiro, só se conseguia entrar no poço através da abertura de uma porta com um mecanismo próprio, a partir do momento que se entrava no poço surgia a necessidade de se ascender à razão deixando para trás os instintos materiais e primários. A luz representava a sabedoria e o conhecimento a escuridão representaria a ignorância.
Quando estamos na extremidade superior do poço e olhamos para baixo, observamos uma rosa dos ventos que orientaria os iniciados. Os níveis deste poço são nove e esse número não é um acaso. O nove é um algarismo simbólico, que em muitas línguas europeias apresenta semelhanças com a palavra novo
Foram nove os primeiros templários, os cavaleiros que fundaram a Ordem do Templo e os que estão na origem da Ordem portuguesa de Cristo. Deméter percorreu o mundo em nove dias em demanda da filha Perséfone. Na mitologia grega, as musas eram as nove filhas de Mnemonize e Zeus. São precisos nove meses para o ser humano nascer. Por ser o último dos algarismos singulares, o nove anuncia em simultâneo, e nessa sequência, o fim e o princípio, o velho e o novo, a morte e o renascer, o fim de um ciclo e o começo de outro.
Descer ao fundo do poço, era simbolicamente chegar ao “inferno”, ou  ao “mundo das trevas” … 


A descida do poço significa, também, uma descida dentro de si próprio, em busca do mais profundo da própria alma.









Poço Iniciático.... uma espécie de torre invertida que submerge nas profundezas da terra. De quinze em quinze degraus vão-se descendo os nove patamares desta galeria em espiral, sustentada por colunas.














Um aglomerado de pedras "esconde" a entrada do Poço Iniciático


Teatro Musical Infantil “A Cinderela” em cena na Quinta da Regaleira,  até 26 Outubro.



O troço superior de túneis da Regaleira não constitui, directamente, um labirinto, mas tem com este e com a sua carga simbólica, uma relação, pois os seus caminhos subterrâneos podem levar a diferentes direcções.
Os túneis da Regaleira continuam a constituir o quadro distintivo essencial da quinta e, em forte medida, o seu maior mistério ou, pelo menos, a fonte principal de controvérsia e debate. 

São uma figuração da viagem das trevas à luz, como um caminho que conduz da morte simbólica do profano e à ressurreição do iniciado, como um homem novo.
 






O leão remonta à época da Baronesa da Regaleira, e representa a monarquia, principalmente a figura do  Rei.









O patamar dos Deuses, é uma alameda ladeada por estátuas  que representam  algumas das principais  divindades gregas e romanas.






















O nosso passeio chegou ao fim... é impossível não ficarmos enfeitiçados pela Quinta da Regaleira pois este lugar está repleto de magia, naturalidade, simbolismo e esoterismo.
Quase que podemos dizer que esta foi uma viagem introspectiva e de busca espiritual...





Dicas: 



Como chegar:

EN 375, Rua Barbosa du Bocage, n.º 5, 7 e 9. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.796361, long.: -9.396144

 

Para informações de horários e visitas guiadas consulte: http://www.regaleira.pt

 

 

 



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