sábado, 25 de outubro de 2014

Quinta da Regaleira

  



A Quinta da Regaleira constitui um dos mais surpreendentes e enigmáticos monumentos da Paisagem Cultural de Sintra. Situa-se no elegante percurso que ligava o Paço Real ao Palácio e Campo de Seteais, dentro dos limites do centro histórico. Entre 1898 e 1912 Carvalho Monteiro transformou-a no seu lugar de eleição, conferindo-lhe as características actuais. 

 



Com uma junção de várias correntes artísticas e arquitectónicas, do gótico ao manuelino com um toque renascentista, o  resultado foi uma criação única, cheia de recantos mágicos e pormenores que não escondem a união entre a História nacional e o lado mítico e esotérico, inevitavelmente associado à serra de Sintra.





A Quinta da Regaleira foi residência de veraneio da família Carvalho Monteiro. A exuberância decorativa envolveu artistas de grande mérito como António Gonçalves, João Machado, José da Fonseca, Costa Motta e Rodrigo Castro, nas cantarias e Júlio da Fonseca, na talha de madeira.





Vamos então dar inicio à nossa visita e conhecer os mistérios da Quinta da Regaleira...

A  visita que vamos realizar pela Quinta, está a par das caminhadas  realizadas nas obras clássicas como a Divina Comédia, a Eneida, a Odisseia, etc... Tudo o que vamos encontrar ao longo desta viagem surge como uma busca da salvação, porque na Quinta tudo está relacionado com a morte e o renascimento!




O Palácio

Num patamar um pouco mais elevado encontra-se o palácio, com uma soberba vista sobre os jardins, o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena.

Na fachada do edifício, encontra-se o monograma de Carvalho Monteiro, ornamentado com cordas, laçadas e nós, características do estilo Manuelino.
Bem aos estilo gótico o edifício cresce rumo ao céu, com os seus pináculo e gárgulas. 









Entrada principal do palácio





Alpendre

A caprichosa ornamentação lavrada em calcário de Coimbra evoca a epopeia dos Descobrimentos Portugueses e o arquétipo da viagem.







gárgula



Torrinha

Desfrutando de uma panorâmica surpreendente sobre a serra e o oceano, o miradouro é rematado com uma esfera armilar e um catavento com a cruz da Ordem de Cristo.












Da Torrinha temos uma vista surpreendente para o Castelo dos Mouros.













Sala da Caça


A sala de jantar é dominada pela monumental  lareira rematada pela escultura do monteiro. Neste fogão de sala, sobressai o tema da caça, de excepcional execução em cantaria. Da policromia do mosaico veneziano às mísulas
da abóbada, transparece o tema do ciclo da vida.





Na sala de jantar as portas para a varanda são em arco redondo, ladeadas por colunas e elementos naturalistas.
Por cima da lareira, na parede do fundo existem duas pinturas, de um lado uma rapariga à beira mar sentada numa rocha, do outro um caçador largando um falcão segurando dois cães.
O tecto é abobadado. Uma porta forrada a veludo ao estilo quinhentista comunica com a copa.















Sala das Bonecas


Esta sala tem as paredes pintadas com cenas cortesãs, e por cima das portas crianças brincando. O tecto é de madeira trabalhado.













Sala dos Reis

Esta sala destaca-se de todas as outras salas do palácio, aqui Carvalho Monteiro mostra-nos as suas preferências monárquicas  através de um conjunto de retratos de vinte Reis e quatro Rainhas da monarquia portuguesa, a par dos escudos das cidades do Porto, Braga, Coimbra e Lisboa. Esta sala é conotada com a tradição mítica Portuguesa Templária.
A preponderância em toda a quinta de elementos decorativos com a cruz da ordem de Cristo, está aqui associada à caracterização dos retratos dos Reis Portugueses, representados com as insígnias de Grão Mestre desta ordem.

  








Na sala dos Reis, encontram-se vários objectos da Viscondessa da Regaleira, entre os quais um pergaminho com a Carta Régia de atribuição do Título de "Viscondessa da Regaleira".
Lisboa 1854. 





"Sala das Meninas"

Nesta sala as portas são emolduradas por mármore ricamente esculpido com troncos, cordas, nós, esfera armilar, etc...
Sobre a porta que dá acesso à torre, podemos ver uma escultura de Adão e Eva e a árvore da vida. Um friso junto ao tecto em redor da sala  ostenta pinturas das aventuras de um grupo de jovens.







Exposição

Uma exposição com fotos, moldes, textos e maquetas conta-nos cronologicamente a história da quinta  e elucida-nos sobre o significado das construções que foram feitas no palácio e nos jardins.



Poço iniciático




Hárpia


À medida que vamos subindo no edifício, podemos apreciar através das janelas alguns pormenores das fachadas!








Terraço panorâmico


O terraço panorâmico é rematado por oito pináculos  profusamente decorados com figuras naturalistas e fantásticas. Num dos pináculos virados ao oceano figura o poeta Luís de Camões.
Uma vista soberba para o Palácio da pena, deixa-nos extasiados!









Depois de visitarmos o palácio o passeio continua rumo aos jardins... um pouco mais à frente, vamos encontrar  a Capela!

 
Capela


A capela manuelina evidencia um rico programa iconológico, tendo como tema central o ciclo mariano e Cristo, com destaque para as cenas da anunciação e da coroação de Maria. O seu simbolismo alude ainda à Ordem do Templo e à Ordem de Cristo.


Carvalho Monteiro dá  uma enorme carga simbólica e familiar a tudo o que constrói na Quinta, exemplo disso é esta capela católico-romana: o altar da capela é dedicado à Virgem, porque a sua filha se chamava Maria, num vitral representa-se o Milagre da Nazaré, porque esse era o nome de uma neta; um painel de "tesselatum" representa Santo António pregando aos peixes, porque António era o nome de outro neto; também relacionados com membros da sua família, são as representações de São Pedro (nome do filho), Santa Teresa (da neta) e São Francisco (do pai).

A Capela de uma única nave de planta longitudinal, tem uma sacristia e uma torre sineira incorporada, umas escadas em espiral situadas à entrada do lado direito levam-nos até à cripta, imersa na escuridão e desprovida de qualquer decoração, tem ligação directa com o palácio através de um acesso subterrâneo. 


















A visita continua através dos caminhos místicos do jardim....


 



jardim

Enquanto  representação do cosmus, o jardim é aqui revelado pelo sucesso de lugares imbuidas de magia e mistério.
A demanda do paraíso é materializada em coexistência com um mundo inferus - um Dantesco mundo subterrâneo ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Adriane da iniciação. Concretize-se entre os diversos cenários a representação de uma viagem iniciática, por um jardim simbolico onde podemos sentir a harmonia das esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese  de consciência, em analogia com a demanda do Ser que ressalta de grandes epopeias. 



Espécies arbóreas


As principais espécies existentes no jardim são palmeiras, tílias, camélias, castanheiros, castanheiros da índia, carvalhos, carvalhos americanos, carvalhos negral, carrascos, sobreiros e azinheiras.


Todo o jardim é irrigado por um complexo sistema de rega, composto por cerca de dez minas, um aqueduto e doze depósitos.







Um pouco mais à frente, vamos encontrar a elegante Torre da Regaleira, segundo algumas teorias o nome da Quinta deriva desta torre.
A  ilusão de se encontrar no eixo do mundo é uma sensação fabulosa para quem sobe a torre.





Grutas do Labirinto

Construidas por Manini e Carvalho Monteiro, estas grutas artificiais são um labirinto, com vários caminhos que nos conduzem até ao seu interior através de uma viagem mitologia pela procura da espiritualidade.

É necessário atravessar as trevas "grutas do labirinto" para se chegar  à luz....





A água é uma constante na Quinta, sendo vista como o elemento purificador da vida responsável pela limpeza espiritual.








Terraço dos mundos celestes


O paraíso contrapõe-se com um mundo inferior, o dantesco mundo subterrâneo.
No terraço encontram-se dois mundos que se fundem: o céu e a terra!








Torre das extremidades do terraço


Portal dos Guardiães


Este espaço amplo e com óptima acústica  foi criado por Carvalho Monteiro para ser um teatro.





Esta estrutura cénica rematada por dois torreões laterais e por um mirante central sob o qual se dissimula uma das entradas para um percurso de túneis através do mundo subterrâneo, ao centro dois  guardiões que são dois tritões rodeando um búzio que segundo a mitologia usavam para tocar uma musica apaziguadora.

O túnel que se esconde atrás dos tritões leva-nos até ao poço iniciático.





O poço imperfeito

O poço imperfeito é formado por pedras toscas intercaladas, tem 8 metros de profundidade. Por trás das pedras desenrola-se uma escada de caracol.  Existe um percurso subterrâneo que nos leva até ao poço Iniciático. 






















Poço Iniciático


Na época de Carvalho Monteiro, só se conseguia entrar no poço através da abertura de uma porta com um mecanismo próprio, a partir do momento que se entrava no poço surgia a necessidade de se ascender à razão deixando para trás os instintos materiais e primários. A luz representava a sabedoria e o conhecimento a escuridão representaria a ignorância.
Quando estamos na extremidade superior do poço e olhamos para baixo, observamos uma rosa dos ventos que orientaria os iniciados. Os níveis deste poço são nove e esse número não é um acaso. O nove é um algarismo simbólico, que em muitas línguas europeias apresenta semelhanças com a palavra novo
Foram nove os primeiros templários, os cavaleiros que fundaram a Ordem do Templo e os que estão na origem da Ordem portuguesa de Cristo. Deméter percorreu o mundo em nove dias em demanda da filha Perséfone. Na mitologia grega, as musas eram as nove filhas de Mnemonize e Zeus. São precisos nove meses para o ser humano nascer. Por ser o último dos algarismos singulares, o nove anuncia em simultâneo, e nessa sequência, o fim e o princípio, o velho e o novo, a morte e o renascer, o fim de um ciclo e o começo de outro.
Descer ao fundo do poço, era simbolicamente chegar ao “inferno”, ou  ao “mundo das trevas” … 


A descida do poço significa, também, uma descida dentro de si próprio, em busca do mais profundo da própria alma.









Poço Iniciático.... uma espécie de torre invertida que submerge nas profundezas da terra. De quinze em quinze degraus vão-se descendo os nove patamares desta galeria em espiral, sustentada por colunas.














Um aglomerado de pedras "esconde" a entrada do Poço Iniciático


Teatro Musical Infantil “A Cinderela” em cena na Quinta da Regaleira,  até 26 Outubro.



O troço superior de túneis da Regaleira não constitui, directamente, um labirinto, mas tem com este e com a sua carga simbólica, uma relação, pois os seus caminhos subterrâneos podem levar a diferentes direcções.
Os túneis da Regaleira continuam a constituir o quadro distintivo essencial da quinta e, em forte medida, o seu maior mistério ou, pelo menos, a fonte principal de controvérsia e debate. 

São uma figuração da viagem das trevas à luz, como um caminho que conduz da morte simbólica do profano e à ressurreição do iniciado, como um homem novo.
 






O leão remonta à época da Baronesa da Regaleira, e representa a monarquia, principalmente a figura do  Rei.









O patamar dos Deuses, é uma alameda ladeada por estátuas  que representam  algumas das principais  divindades gregas e romanas.






















O nosso passeio chegou ao fim... é impossível não ficarmos enfeitiçados pela Quinta da Regaleira pois este lugar está repleto de magia, naturalidade, simbolismo e esoterismo.
Quase que podemos dizer que esta foi uma viagem introspectiva e de busca espiritual...





Dicas: 



Como chegar:

EN 375, Rua Barbosa du Bocage, n.º 5, 7 e 9. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.796361, long.: -9.396144

 

Para informações de horários e visitas guiadas consulte: http://www.regaleira.pt

 

 

 



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