domingo, 2 de novembro de 2014

Mont-St-Michel


Mont-St-Michel


Coberto pelo nevoeiro, tragado pelo mar, erguendo-se orgulhoso sobre as areias cintilantes, o Mont-St-Michel é uma das imagens mais bonitas da França. Agora ligada ao continente por uma estrada elevada, a ilha de Mont-Tombe fica na foz do rio Coueson, coroada por uma abadia fortificada, que tem quase o dobro da sua alturura.
Estrategicamente situada na fronteira entre a Normandia e a Bretanha, o Mont-St-Michel transformou-se de um humilde oratório do Século VIII, num mosteiro  beneditiano que teve grande importância nos séculos XII e XIII. Peregrinos conhecidos por miquelots vêm de longe para glorificar S. Miguel, e o mosteiro foi um conhecido centro medieval de estudos. Depois da Revolução, a abadia foi transformada em prisão. Agora é um monumento nacional, visitado por cerca de 850 000 pessoas por ano.

O Mont-St-Michel foi classificado monumento histórico da França em 1874 e é património mundial da Unesco desde 1979.





Este é mais um relato de uma das  nossas viagens de carro pela Europa, algo que gostamos tanto de fazer e que cada vez se torna mais difícil, devido à falta de tempo.
Desta vez o destino foi a França, um país que adoramos! Primeira paragem para visita: Mont-St-Michel!


Depois dos cerca de 1600 km  percorridos com grande expectativa e entusiasmo,  chegámos finalmente à estrada  que liga a ilha de Mont-Tombe. Aqui, o cansaço da viagem tranformou-se em deslumbramento...
Apesar da chuva, do vento e das nuvens carregadas que o rodeavam ele erguia-se imponente para nos receber... O  Mont-St-Michel!
De impermeáveis vestidos, deixámos o carro no parque de estacionamento, e fomos à descoberta deste monumento histórico...







As marés do Mont-St-Michel

As marés são extremamente fortes na baía do Mont-St-Michel, sobem e descem segundo o calendário luar e na Primavera atingem velocidades na ordem dos 10 km por hora.
O mar retira-se com a velocidade de 10 km/h, mas volta com a mesma rapidez, os franceses costumam utilizar a expressão: « volta com a velocidade de um cavalo a galope ».
 
 

 



Muitos turistas aproveitam a maré baixa para se aventurarem na baía em direcção ao mar, não conhecem o local, desconhecem os pontos de areias movediças e principalmente esquecem-se que a subida das águas se faz muito rápidamente e que mesmo a correr um ser humano  não consegue atingir a velocidade da subida da maré.
Para quem quiser explorar este tipo de turismo de aventura, existem agências locais para o efeito, pergunte informações no posto de turismo local. 







A chuva finalmente deu-nos umas pequenas tréguas... ao entrarmos pela porta principal da muralha, a chuva que ao longo do dia nos acompanhou parou de cair durante algum tempo!








Grande Rue

Agora apinhada de turistas e lojas de recordações, esta rota de peregrinação, percorrida desde o século XII, sobe até aos portões da abadia passando pela Eglise St. Pierre.










Prepare as pernas, a subida morro acima rumo à abadia é feita a pé por uma escadaria  tal como se fazia no sec. XII. Mas vale bem a pena.





 Protegidas por altos muros, a abadia e a igreja têm uma posição invencível na ilha.




A Abadia

Os edifícios principais testemunham a época em que a abadia foi um convento beneditino e, nos 73 anos subsequentes à Revolução, uma prisão política. Em 1017 iniciou-se a construção de uma igreja romana no ponto mais alto da ilha, sobre um edifício pré-romano do séc. X, agora Notre-Dame-sous-Terre. La Merveille (o milagre) é um convento de três andares que foi acrescentado à parte norte da igreja, nos princípios do século XIII.


Os três níveis da abadia reflectem a hierarquia monástica. O abade recebia os convivas nobres no andar do meio. Os soldados e os peregrinos de uma classe social inferior eram recebidos no andar inferior. 

As visitas guiadas começam no terraço oeste ao nivel da igreja e terminam na casa da caridade, onde eram dadas as esmolas aos pobres. Actualmente a casa da caridade é uma livraria e sala de recordações.





Igreja

Restam quatro ogivas da nave romana. Três foram demolidas em 1776  para darem lugar ao terraço oeste.




Refeitório

Os monges tomavam as suas refeições nesta sala comprida.
(promenor do tecto)





Sala dos Cavaleiros

As estruturas abobadadas e capitéis ricamente decorados são tipicamente góticos.





O Claustro

O Claustro com as elegantes colunas em fila é um belo exemplo do estilo anglo-normando dos princípios do século XIII.






No interior da abadia podemos ver algumas construções que eram utilizadas na idade média, exemplo disso é esta roda de madeira. Os presos eram colocados dentro da roda e obrigados a caminhar, deste modo a roda rodava e içava uma corrente de ferro que puxava uma plataforma. Nessa plataforma transportavam-se géneros alimentares e outros produtos que eram necessários para a sobrevivência dentro da abadia. Deste modo não era necessário abrirem os portões e não  sofriam invasões.





Pormenor da corrente de ferro e das calhas de madeira que serviam para içar a plataforma.




Do exterior  da abadia temos uma melhor percepção do esforço que os prisioneiros tinham de fazer para içarem a  plataforma.





No final da visita podemos ver uma exposição sobre o Mont-St-Michel, onde está patente o molde do arcanjo Michel que se encontra a cerca de 170 metros no topo da torre-agulha da abadia.









A descida faz-se sem pressas, apreciando o casario do burgo...






Regressamos ao parque de estacionamento, a chuva voltou a cair desta vez com mais intensidade. Por entre as  gotas de água que escorrem pelo capuz do impermeável   olhamos uma ultima vez para trás...








Dicas


Como chegar:

Por via terrestre:

Partimos de Portugal rumo a Valladolid - Bordeaux -entrámos na Bretanha por Nantes, seguimos via Rennes - Mont-St-Michel.

Quem estiver em Paris e quiser visitar o Mont-St-Michel, a forma mais económica de o fazer é alugar um carro.
São cerca de 360 km.

Por avião:
Existem voos regulares de Paris para Rennes. Depois tem de fazer a ligação por autocarro ou comboio. (não é muito prático) 

As agências de viagens têm visitas organizadas com partidas de Paris.




Onde comer:

                                                             




No Restaurante "La Mere Poulard" pode encontrar as  famosas omeletas da Madame Poulard.
As omeletas são batidas com uma vara de arames em tigelas de cobre
à frente dos clientes por cozinheiros vestidos de monges e vão   ao lume de lenha em frigideiras rústicas.




Onde dormir:

A disponibilidade de  alojamento no Mont-St-Michele é muito limitada e cara, a opção mais viável é pernoitar numa das povoações mais próximas. 
Existem parques de campismo com bungalows, turismo rural e hotéis.










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